O que fazer com aquele dinheiro extra?

Dicas apra o que fazer com o dinheiro extra

Sabe aquela nota de dinheiro que a gente acha nos bolsos da roupa ou na bolsa que não se usa há bastante tempo? É uma alegria, não é? Até as moedinhas são comemoradas. Quando é uma nota de 50 então, merece até celebração no shopping.

Bom, o governo decidiu colocar 43 bilhões de reais no bolso de 30 milhões de pessoas. Um dinheirinho que estava retido e até esquecido por muitos. Mas diferente das notinhas ou moedinhas, o valor recebido agora dá para fazer um “caldo mais grosso”.

Longe de mim dizer o que você deve fazer com o seu dinheiro, mas com mais de 20 anos de experiência na área financeira, me sinto confortável para lhe oferecer alguns conselhos:

Qualquer decisão madura que você tome em sua vida precisa de um propósito, e na área financeira, não pode ser diferente.

Como estamos contextualizando aqui a sua decisão dentro de uma receita “extra”, como o FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] – liberado pelo Governo para quem tem direito de receber – ou como qualquer outro tipo de receita inesperada, o destino dos novos recursos merece considerar sua atual situação econômica.

Se você tem um orçamento deficitário, ou seja, se suas despesas são maiores do que as suas receitas, este dinheiro vai aliviar um pouco o seu orçamento, mas por um período curto de tempo. A não ser que o valor recebido seja suficiente para você investir na redução permanente dos seus custos ou no aumento permanente da sua receita. Se não for este o caso, o que você precisa fazer é mudar a sua realidade financeira assim que possível, fazendo com que suas despesas sejam menores do que a sua receita. O melhor a fazer se você se encaixa neste perfil é estudar formas de reduzir custos e/ou aumentar a receita, estabelecendo com isto um orçamento saudável e que lhe permita, inclusive, guardar um pedaço da sua receita todos os meses.

De qualquer maneira, você tem três possibilidades de destino dos seus ganhos extras:

1. Pagamento de dívidas: Com dinheiro na mão você pode negociar suas dívidas. Tente reduzir o valor da dívida com uma proposta de quitação que lhe ofereça um bom desconto. Isto também irá reduzir o seu custo com juros e pode lhe ajudar a reverter seu déficit orçamentário. E se precisar de um novo crédito para consumir novos bens e serviços, poderá financiar com um custo menor, pois a taxa básica de juros está mais baixa no Brasil e a tendência é que continue caindo.

2. Compra de bens e serviços: Em momentos de crise e quando as reservas de segurança estão baixas – ou não existem -, uma receita extra pode lhe oferecer a possibilidade de consumo de algum bem ou serviço importante para você. Mas, cuidado! Pode não ser uma boa ideia consumir supérfluos. Se você não tiver nenhuma necessidade crítica para atender, considere guardar o dinheiro como reserva de segurança contra imprevistos. Mas se você já tem uma boa reserva ou não quer ser preocupar com isto agora, seja feliz e compre o que você deseja! Isto também será bom para a nossa economia!

3. Investimento: O melhor foco de investimento que existe é o conhecimento, pois ninguém pode tomá-lo de você e ele também lhe capacita para aumentar os seus rendimentos, então pode ser uma boa oportunidade para você investir em cursos de capacitação. Mas você também pode apostar numa aplicação do seu dinheiro extra em ativos remunerados, por meio de Fundos de Investimento, Tesouro Direto, Ações, Previdência Privada, CDBs e até Poupança, decisão que deve ser pautada em seus objetivos e restrições ao risco. É importante não esquecer que uma parte dos seus rendimentos de hoje precisa garantir a manutenção da sua qualidade de vida no futuro, bem como promover a realização de desejos que exigem uma capitalização consistente, como a compra de um imóvel, uma viagem dos sonhos, um carro zero km etc.

Dependendo da quantia recebida, você pode fazer um mix destas possibilidades, dentro das suas prioridades, mas não se esqueça de que “o princípio da colheita é a semeadura”.

Cuide das suas finanças como se fosse uma árvore frutífera, que, para dar frutos, precisa receber recursos, como água, nutrientes e luz. E se quiser colher mais frutos, precisa usar as sementes desta árvore para plantar outras, e esperar o tempo de crescimento e de colheita.

Marcus Rangel, diretor financeiro da Nasajon.